terça-feira, 16 de setembro de 2008


SILÊNCIO


O silêncio de Deus antecede o meu.

Quando Ele se cala é porque as palavras da minha boca

abafaram os sussurros do meu amado, no meu coração.

A ausência da sua doce presença é um sinal de que

na minha vida mesquinha há pouco espaço para nós dois.

Olho em volta, e não O vejo mais.

O aroma suave do seu inefável Espírito se apartou de mim.

O óleo precioso sobre a cabeça,

que escorre pela barba de Abraão, parou de jorrar.

Não me dei conta de quando, na caminhada,

acelerei o passo, deixando-o para trás.

Agora estou só, tenho medo e sinto frio.

À minha frente, somente o deserto e a escuridão.

Preciso desesperadamente do seu calor, da sua luz, do seu amor.

Pai! Onde você está? Não me deixe aqui sozinha!

Prostrada, sucumbida ao peso da minha negligência,

busco a sua face e o pranto de arrependimento

é o meu derradeiro grito de misericórdia.

Agora só há o silêncio...

Todo o meu ser se cala diante do poder inexorável

que me contempla do alto, com ternura e compaixão.

A vida retoma, enfim, o seu curso.

Meus passos estão em sintonia com os seus.

Caminhamos lado a lado, num diálogo mudo de cumplicidade e confiança.

O sol voltou a brilhar.

O amor venceu mais uma vez.
ALELUIA !!!

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