quarta-feira, 9 de junho de 2010

VIOLETA COROADA DE ESPINHOS...

Pablo Neruda

Áspero amor, violeta coroada de espinhos... Arbusto entre tantas paixões erguidas, lança das dores, coroa da ira, Por quais caminhos e como te dirigiu a minha alma? Por que precipitaste teu fogo doloroso, repentinamente, entre as folhas frias do meu caminho? Quem te ensinou os passos que te levaram a mim? Que flor, que pedra, que fumaça mostraram minha casa? A verdade é que tremeu a noite apavorante, A aurora encheu todas as taças com seu vinho, e o sol estabeleceu sua presença celeste, Enquanto o amor cruel me cercava sem trégua, Até que padecendo-me com espadas e espinhos, Abriu meu coração um caminho ardente.


sexta-feira, 4 de junho de 2010

A VIDA É TÃO RARA...

PACIÊNCIA
Lenine

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...
Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...
Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...
O mundo vai girando

Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...
Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...