
SILÊNCIO
O silêncio de Deus antecede o meu.
Quando Ele se cala é porque as palavras da minha boca
abafaram os sussurros do meu amado, no meu coração.
A ausência da sua doce presença é um sinal de que
na minha vida mesquinha há pouco espaço para nós dois.
Olho em volta, e não O vejo mais.
O aroma suave do seu inefável Espírito se apartou de mim.
O óleo precioso sobre a cabeça,
que escorre pela barba de Abraão, parou de jorrar.
Não me dei conta de quando, na caminhada,
acelerei o passo, deixando-o para trás.
Agora estou só, tenho medo e sinto frio.
À minha frente, somente o deserto e a escuridão.
Preciso desesperadamente do seu calor, da sua luz, do seu amor.
Pai! Onde você está? Não me deixe aqui sozinha!
Prostrada, sucumbida ao peso da minha negligência,
busco a sua face e o pranto de arrependimento
é o meu derradeiro grito de misericórdia.
Agora só há o silêncio...
Todo o meu ser se cala diante do poder inexorável
que me contempla do alto, com ternura e compaixão.
A vida retoma, enfim, o seu curso.
Meus passos estão em sintonia com os seus.
Caminhamos lado a lado, num diálogo mudo de cumplicidade e confiança.
O sol voltou a brilhar.
O amor venceu mais uma vez.
ALELUIA !!!
